Em 09/03/17 às 10:52:17

'Ele pode nunca ter sabido', diz novo ministro da Justiça,

Sobre implicações de Temer

BIA LIMA


O novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio (PMDB-PR), afirmou em entrevista publicada nesta quinta-feira (9) pelo jornal Folha de S. Paulo que não acredita que o governo Michel Temer, responsável por sua nomeação ao cargo, não vá chegar ao final por conta da descoberta de crimes de corrupção. “Não. Vai chegar ao fim. Acredito na possibilidade de chegar ao fim. Não só na possibilidade, acredito que vai chegar ao fim. Nós temos no direito a responsabilidade objetiva e a subjetiva”, disse, para completar: “Para o Michel ser envolvido, precisa que se demonstre a responsabilidade subjetiva. Ele pode nunca ter sabido. Como eu tenho observado, que ele nunca discutiu valores. Vai ter que aparecer que ele sabia que estavam recebendo dinheiro indevido”. Questionado sobre o fato de delatores terem citado que o presidente pediu dinheiro a Marcelo Odebrecht, Serraglio, deputado federal licenciado, argumentou que “os partidos pedem dinheiro”. “Antigamente, isso a gente vê em direito tributário, não me lembro agora do nome do imperador Romano, acho que foi Crasso [na verdade foi Vespasiano], ele começou a tributar as prostitutas [na verdade, o uso das latrinas]. Falaram: é um ilícito, e tão cobrando. Aí ele falou, 'pecunia non olet', o dinheiro não cheira. O dinheiro não vem carimbado assim ó, esse é de corrupção, não encosta que esse é de corrupção”. O ministro também foi indagado sobre eventual morosidade da primeira lista de denunciados do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, da qual apenas cinco políticos foram indiciados. “Como vou saber quem está na lista do Janot e o nível de comprometimento. O Joaquim Barbosa, que virou um herói nacional, demorou quatro, cinco anos com a ação do mensalão. Eu até acho bom que a investigação seja mais aprofundada. Tem que ter um convencimento mais forte. Mas claro, cada caso é um caso. O delator só, a delação dele não serve se não tiver algum elo”, aponta. Serraglio ainda reafirmou que não vai interferir na Operação Lava Jato e que Curitiba terá “total” liberdade para agir. Ele também negou ter defendido a anistia do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). “Nunca defendi anistia, isso é um erro da imprensa. O que aconteceu foi o seguinte: surgiu a defesa da Dilma [no impeachment] e o que ela disse? O que eu cometi no mandato passado não pode ser objeto de cassação agora. O que eu disse: se isso aí prosperar vocês estão anistiando o Cunha”. 

fonte: Bahia Noticias

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